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ANÁLISE DE FERTILIZANTES QUELATIZADOS

A. A. Rodella

 

A comerciliazação de fertilizantes quelatizados no Brasil, e mesmo na maioria dos paises, até pouco tempo atrás não exigia caracterização alguma do produto por parte dos fabricantes. Assim, a menção do termo quelatizado na embalagem de um fertilizante contendo diferentes micronutrientes não indicava qual deles estaria na forma de quelato, nem, caso estivesse, qual seria a porcentagem do nutriente efetivamente quelatizado.

Um fertilizante quelatizado em geral contém um ou mais micronutrientes como Fe, Zn. Mn, Cu, entre outros, que formam complexos com ligantes, ou agentes complexantes. Um quelato é uma forma especial de complexo na qual a molécula do ligante se prende ao íon metálico através de vários pontos de sua molécula, formando estrutura cíclica. Um íon Fe+3 por exemplo poderá estar complexado por íons cloreto, Cl-, mas estará quelatizado se interagir com uma molécula complexa como é o EDTA.

A quelatização de um nutriente pode ser justificada por várias razões: aumentar a eficiência do produto quando aplicado ao solo, protegendo os nutrientes metálicos de reações que os tornariam indisponíveis às plantas. Muitos fertilizantes foliares apresentam micronutrientes na forma quelatizada e também aqui são apresentadas justificativas de uma maior absorção foliar e melhor translocação pela planta. Frequentemente, parece que a maior razão do uso de um ligante é possibilitar a permanência do nutriente metálico em solução, quando concentrações elevadas do elemento são empregadas, ou para garantir suspensões estáveis quando o fertilizante é misturado a defensivos.

Quando, um fertilizante é submetido à análise química, os procedimentos empregados em geral são aplicáveis a uma classe definida de produtos. Isso facilita o estabelecimento de um método analítico.

A legislação atualmente em vigor exige que se apresente o grau de quelatização que um determinado nutriente apresenta. Isso pressupõe a adoção de um método analítico que expresse esse atributo de maneira inequívoca.

No ramo de fertilizantes o termo quelatizado se aplica a uma série de produtos de características extremamente variáveis. Isso tem dificultado o estudo de um método analítico aplicável a todos os produtos que clamam ser quelatizados.

Existe um método especifico para fertilizantes quelatizados com ligantes do tipo poliaminocarboxílicos  que se utiliza na Europa como método oficial. O nome complicado designa fertilizantes produzidos com compostos conhecidos por siglas, como: EDTA, DTPA, HEDTA, EDDHA, entre outros.

O método se baseia na ação de uma resina catiônica que retém o cátion metálico eventualmente na forma livre. Assim, imagine-se o contato de uma solução aquosa do fertilizante supostamente contendo cobre 100% quelatizado com uma quantidade de resina catiônica. Se o produto for realmente 100% quelatizado, nenhum íon Cu+2 será retido pela resina pois estará formando um quelato. Então o cobre permanece em solução e o teor determinado pelo método coincidirá  exatamente com o teor total de cobre no fertilizante.

O método realmente funciona bem para fertilizantes contendo os ligantes mencionados, mas, pelos dados disponíveis até o momento, ele não mostra quelatização para ligantes como: lignosulfonato, aminoácidos, ácidos carboxílicos, entre os quais se inclui o acido cítrico. Parece que, nestes casos, a resina compete pelo metal com os ligantes e vence. Assim mesmo se existir uma interação entre metal e um agente complexante o método da resina não confirma isso. Este fato não ocorre com os compostos como o EDTA e similares porque os complexos formados de excepcional estabilidade, e sobre eles a resina de troca iônica não atua.

Salvo melhor juízo, esta parece ser a situação atual da análise de fertilizantes quelatizados: não se tem para uso imediato um procedimento analítico aplicável a qualquer produto que se apresente no mercado como quelatizado ou complexado.